30 novembro, 2015

Sobre viajar sozinha

Sobre viajar sozinha, tenho uma coisa a dizer aos viajantes: experimente pelo menos uma vez na vida. 




Fiz algumas viagens sozinha durante os últimos 5 anos e vivenciei muitas experiências novas a cada viagem. É nesse tipo de viagem que nos conhecemos melhor, que sentimos emoções novas, experienciamos aventuras diferentes apenas pelo fato de não termos alguém com quem dividir questionamentos, planejar roteiros ou mesmo comentar o que vemos. 

Muitas pessoas que não viajam sozinhas me dizem que o fato de não ter ninguém para fazer companhia amedronta - o medo de se sentir solitário. Mas eu afirmo que, depois de tantas aventuras que passei, viajar sozinha me ajuda a me conectar com meu eu interior. Ajuda a nos tornarmos mais independentes e pró-ativos. Sair da zona de conforto faz com que nos sintamos vivos e essa experiência mostra que existe muito da gente que não temos ideia, e é la fora da nossa zona de conforto que descobrimos. 

Eu não tenho medo de me sentir solitária. Pelo contrario, é viajando sozinha que conheci muito mais gente. Pois sem uma parceria de viagem, necessitamos interagir com o mundo. Eu já conheci outros viajantes em hostel, ponto turístico, bar, até em fila de banheiro. A minha mais recente experiência foi o couchsurfing, e foi incrível. Conheci os meus hosts que me apresentaram seus amigos... assim minha rede de amizades e contatos se expandiu, algo que com menos facilidade (e as vezes zero chance) aconteceria se eu estivesse viajando com amigos e me hospedando em hotéis. 


Quer viajar mas não tem companhia? Minha dica é: se aventure! Pega tua mochila, reserve um hostel ou procure alguém no couchsurfing. Só tenho histórias boas para contar :)

Romanovskaya e Tsimlyansk, sul da Russia

O vilarejo de Romanovskaya, na província Rostov Oblast ao sul da Russia oferece vários atrativos. No verão, é ótimo para passar o domingo ou acampar no fim de semana, uma vez que parte do rio serve de "praia" para os cidadãos de Volgodonsk e região. A maioria das famílias vai pelo menos uma vez no verão para piquniques ou se banhar no rio. No entanto, não tive o privilégio de conhecer em dia ensolarado, apenas em um dia de outono, antes que a temperatura caísse ainda mais. Mas mesmo assim me encantei. As fotos abaixo são de um parque recentemente inaugurado as margens do rio Don. Tem esculturas para todo o lodo, uma área de playground linda para as crianças e vários bancos para o pessoa se acomodar os dias de sol e calor. A paisagem é linda!












Tsimlyansk é uma cidade antiga (fundada em 1672) na província Rostov Oblast. nas margens do reservatório principal da região. Cidade agradável, pequena, onde muitas pessoas de Volgodonsk passam o fim de semana em uma pousada, ou mesmo passeiam no parque aos domingos. Adorei conhecer suas casas antigas com sua arquitetura pre-soviética. Gostaria de ter tirado mais fotos, principalmente das ruas, e no parque, mas estava escuro já. Mas dá para ter uma ideia do que ver por lá :)






02 novembro, 2015

meus 60 dias e reflexões

Já completou dois meses que cheguei em Volgodonsk, cidade na região dos Cossacos, país que tem mais variedade de vodka no mercado do que água. Embora eu esteja no sul, aqui é frio para caramba. Logo no outono já estou usando as minhas roupas de inverno que usava na Irlanda. Estou aqui a apenas 60 dias e já tenho muita experiência legal para compartilhar. 


Sempre penso que no geral, as pessoas são legais comigo, embora mostrem poucos sorrisos. Tenho conhecido pessoas que quero carregar junto comigo quando eu for embora, mas terei que guardar a memória e o sentimento de saudade no coração - e em fotos e contatos no FB e VK - Obrigada tecnologia! 

Sinto que aqui muitas pessoas me enxergam como uma ETzinha, mas vejo muitas pessoas corajosas que me chamam na rua para praticar o inglês esquecido do tempo do colégio e saciar a dúvida sobre minha nacionalidade e propósito aqui. Me surpreendi em muitos aspectos, principalmente sobre a comida e a facilidade em ter uma rotina sem falar a língua local. Eu tinha alguns medos como não ter amigos, pois achava que eles eram mais fechados, mas logo na primeira semana já me convidaram para jantares e passeios pela cidade. 

Me sinto a vontade aqui, embora os desafios no trabalho sejam incessantes. Todos os dias estou aprendendo um pouquinho, tanto na minha qualificação profissional, quanto nas relações interpessoais. E o principal, estou constantemente aprendendo - e melhorando, assim espero - a conviver não somente com as pessoas que vejo diariamente, mas comigo mesma. Eu sempre acreditei que o fundamental não é ter uma experiência no exterior ou estágio de forma isolada, apenas foco no trabalho, mas a autoconsciência e interação social também contam muito, ainda mais em um país com cultura completamente diferente da nossa. Desde sempre mantive a cabeça aberta para aprender com meus erros - e olha que aprendi muuuuita lição no passado - e acho que cada ano que passa eu estou acertando um pouco mais nas minhas escolhas e interação com as pessoas. 


Gostaria que todos meus amigos pudessem ver o que vejo e vivenciar o que vivencio, pois essa experiência é única. Da svidanya.


25 outubro, 2015

sendo turista: parques e museus

A pergunta que eu mais faço para os meus conhecidos por aqui é: "O que fazer no fim de semana em Volgodonsk?". Não tem muita coisa para fazer na cidade, e o pouco que tem, já explorei grande parte. O engraçado é que quando faço essa pergunta, tanto em sala de aula como para conhecidos a fim de pedir sugestões, as pessoas não me respondem com clareza. Na verdade, as pessoas dizem que não tem nada para fazer. Mas tem, porque eu sei. Claro que a perspectiva dessas pessoas é de conterrâneos,  pessoas que não vêem atrativo algum em ir a museus, visitar igrejas, ir até o porto, ou conhecer os parques ou prédios antigos da cidade. Eles fazem isso sempre, mas eles não lembram que isso é "atração" para estrangeiro. Tenho a sorte de ter conhecido quatro pessoas que não só me dão sugestões de lugares para conhecer, como alguns até me levaram para passeios na cidade e arredores. Vou contar um pouquinho do que vi por aqui.

A primeira coisa que fiz quando cheguei foi conhecer o maior parque da cidade enquanto ainda era verão. O parque da Vitória. Vi muitos brinquedos permanentes tipo parque de diversões, a criançada e adolescentes andando de patins, bike, skate. Muitas famílias. Foi uma caminhada agradável enquanto conversávamos sobre vários assuntos relacionados com história. Numa dessas conversas acabamos refletindo sobre como muitas pessoas sentem falta do período da união soviética, pois naquela  época, de acordo com minha amiga, eles tinham mais benefícios e seguro no emprego. Ainda sobre natureza, não muito longe de onde moro tem um jardim na beira do lago, onde se situa a ponte que liga a parte velha da cidade e a parte nova. Jardim florido, com bancos, gramado e alguns monumentos. Lugar agradável para passar algumas horas no sol do outono sem vento.




O passeio que mais me agradou foi a visita ao museu. Adoro museus, é a minha segunda atração favorita, depois de andar pela cidade (sightseeing). Para a minha sorte tive um "guia" ótimo que me levou em dois museus e me contou muitas coisas sobre sua vida pessoal enquanto olhávamos as diferentes exibições, o que enriqueceu meu entendimento da cultura local. Meu lugar favorito é certamente uma parte do complexo Museu Ecológico e Histórico de Volgodonsk, que é uma pequena casa antiga dos Cossacos, que foi relocada de uma região que foi inundada para fazer a represa (e essa região tem muitas histórias sinistras, como a possível morte de muitos cidadãos que não quiseram abandonar suas casas). É um lugar que ainda quero conhecer, pois como a cidade foi inundada, muitas casas e uma igreja linda estão submersas.


Para quem não conhece os Cossacos, eles eram o povo nativo da região da Ucrânia e sul da Rússia, principalmente da região Don, onde estou. Esse museu é uma casa tradicional dos Cossacos do século 19, e lá encontramos uma senhora guia que nos explicou como as ferramentas e utensílios eram usados, como era a relação familiar e a submissão da esposa diante o marido aventureiro e ladrão de menininhas turcas. Ok, é muito mais que isso, mas me impressionei com essa história. Os Cossacos iam para a Turquia para roubar coisas, imagino que eles eram bárbaros, tipo os vikings, não sei se posso fazer essa atribuição, mas assim que entendi diante a história que aprendi. As mulheres viviam para cuidar dos filhos, fazer comida, fabricar roupas... Nada muito diferente da cultura antiga de muitas civilizações. No entanto, os Cossacos tiram uma participação muito importante na guerra civil, onde eles protegiam a região sul da Russia dos ataques inimigos e por conseguinte, na período pós-guerra foram a raiz do desenvolvimento da cidade. Existe um memorial na beira do lago - que mencionei anteriormente, local onde era o assentamento no período da guerra. Infelizmente não tenho muitas fotos (bateria fraca do celular). Mas aqui tem um website bem legal.


O maior prédio do Museu Ecológico e Histórico de Volgodonsk é mais geral, com 11 exibições locais. Aprendi sobre a participação da região sul russa nas guerras, vi artefatos da era paleolítica e neolítica, conheci as grandes empresas aqui da cidade: Атоммаш e Nuclear Power Plant e vi algumas obras de um artista famoso local. Tudo isso com a super ajuda do meu guia voluntário traduzindo tudo e me explicando segundo sua perspectiva. Uma das tardes mais agradáveis que tive. Como não pude tirar fotos lá, aqui está o site para informações e fotos.

16 outubro, 2015

sou uma observadora

Todo dia me pego examinando discretamente as pessoas, dos pés a cabeça, coisa que não costumava fazer. Normalmente no Brasil eu ando tão rápido pensando nas tarefas do trabalho, questões pessoais, na festa do fim de semana ou na fofoca que preciso atualizar com minha irmã e amigas que as vezes nem reparo nas pessoas conhecidas que cruzavam meu caminho. Aqui eu olho o rosto das pessoas, observo os passos, as escolhas de roupas, o que eles carregam, e o jeito que se movimentam ao conversar com outras pessoas. Aqui eu observo. Tenho uma atitude mais passiva e até ouso dizer que muitas vezes sou introspectiva.


Coisas que eu escuto

Eu estou vivendo em uma comunidade que por anos foi fechada para o que vem do estrangeiro. Eu escuto pessoas falando russo o tempo inteiro, então meus ouvidos já se acostumaram com o som, com a intonação e até algumas palavras - mas esperança zero sobre aprender a língua. Aqui eu observo. Até mesmo as pessoas que falam inglês tendem a falar russo quando estou junto, para minha frustração. Por isso digo que me tornei uma pessoa introspectiva, pois muitas vezes não tenho "voz". Quando estou com as minhas alunas e colegas de trabalho russas, eu puxo assunto em inglês e elas respondem, mas logo voltam ao russo. Na mesa do restaurante, três professoram de inglês estavam falando em russo e eu no meio. Durou algo como 14-20 minutos e se eu não puxasse assunto, ou se eu fosse tímida - ou mesmo menos confidente com o inglês -  não sei o que seria da minha convivência aqui.  Portanto, o que me resta nas horas que canso de insistir em comunicação é... observar.

Coisas que vejo

Mas não é somente escutando a língua russa, eu também presto atenção em todo texto ao meu redor. Quando estou caminhando, eu tento ler as palavras nos outdoors e cartazes nas lojas. Sempre acho alguma palavra cognata, tanto com o inglês quanto com o português. Já estou craque na leitura do alfabeto cirílico. Nas ruas, as pessoas, principalmente homens, carregam sacolas de lojas. Sempre fiquei curiosa para saber o que eles tanto compram, pois vejo muito mais guris/homens carregando do que mulheres, Mas com o tempo entendi. Muitos dos meus alunos, principalmente aqueles que não tem idade escolar mais, levam os livros nessas sacolas de lojas (tipo da renner, ou da Mercamodas, sabe?) ao invés de terem uma bolsa ou mochila. Eles carregam a sacola pra lá e pra cá com os livros. Acho engraçado, ao mesmo tempo super inspirador. No Brasil duvido ver homens carregando livros em sacolas da renner. Outra coisa que voltei a fazer muito é observar a natureza. Sempre que visito um lugar novo eu olho para a arquitetura e admiro, por tenho como passatempo tentar desvendar a história por trás das construções. Mas aqui a cidade é tão pequena e meu caminho rotineiro é tão previsível que tenho observado muito a natureza, as árvores, flores e canteiros. E genteim, com isso, como vejo gatos nas ruas. Desde filhotinhos a adultos. Tem um que está todos os dias, no mesmo cantinho. É um encanto.

Coisas que tento fazer

Como estou sempre observando, eu já sei como me comportar no mercado, ônibus, táxi, algumas lojas de roupas e calçados. É fácil, qualquer pessoa que tem experiência de turista consegue aprender rapidinho. E eu tento: já tentei pedir pratos e bebidas em restaurantes e bar, já tentei pedir auxilio em supermercado. E fui bem sucedida. Digo tentei pois não usei a língua russa, mas a linguagem corporal conta muito e fui bem sucedida. Para meus dias não passarem tão batidos, eu procuro fazer coisas diferentes sempre que posso. E em algumas saídas eu tento me comunicar. Acho que o maior dom que podemos ter é a comunicação. Assim vivemos a vida mais intensamente, conhecendo pessoas, culturas, contextos diferentes. E quero continuar tentando. Minha próxima aventura será ir no cinema, onde os filmes são dublados. Porque não? Eu tentarei entender, quem sabe dá certo?